O "fracasso" de David Schwimmer após Friends é o plano de saída mais inteligente das sitcoms
Aos 60 anos, Schwimmer nunca emplacou um segundo megassucesso. Achamos que isso só parece fracasso se a fama for medida em bilheteria; em sobrevivência, ele se saiu melhor que a maioria.
Foto: toothgap / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
O que você faz quando interpretou o paleontólogo apaixonado e sofredor mais reconhecível da história da televisão, e tudo o que vem depois é julgado em comparação com ele? Se você é David Schwimmer, que faz 60 anos hoje, aparentemente dá de ombros, volta para o teatro e deixa as manchetes chamarem você de decepção.
E elas chamam. Veículos alemães que marcam o aniversário voltam sempre ao mesmo enquadramento: a Bunte diz que os sucessos dele depois de "Friends" não vieram, e outros dizem que ele nunca emplacou um segundo grande hit. Justo, até certo ponto. Só achamos que esse "até certo ponto" não vai muito longe.
A conta da bilheteria é real, mas não é o ponto
Vamos dar aos céticos as evidências. Depois do final, em 6 de maio de 2004, Schwimmer passou a atuar principalmente atrás das câmeras. Segundo o ksta.de, seu primeiro projeto, a sitcom "Nevermind Nirvana", não encontrou emissora. Sua estreia na direção de cinema, "Run, Fatboy, Run" (2007), teve críticas modestas, mas arrecadou US$ 33,5 milhões no mundo e liderou as paradas do Reino Unido por quatro semanas. Seu thriller "Trust" teve o tratamento oposto: boas críticas, nota máxima de Roger Ebert e cerca de US$ 600 mil de bilheteria. Outro filme, "Duane Hopwood", rendeu catastróficos US$ 13.510, segundo o viply.de.
Não é um currículo de blockbusters. Mas repare no que a lista realmente mostra: um homem que continuou fazendo o que, aparentemente, queria fazer, às vezes premiado pela crítica ("Trust") e às vezes ignorado pelo público (pouca gente foi ver). É assim que é um diretor em atividade. O fracasso faz parte do ofício, não é um veredito sobre a pessoa.
Ross era uma armadilha, e ele a tratou como tal
A história mais interessante é a sombra. O viply conta que Schwimmer disse uma vez ao New York Times que havia decidido que levaria dez anos para Ross deixar de ofuscar o rosto dele. Também conta que ele disse ao Times que tinha um cinto de ferramentas inteiro de habilidades como ator, enquanto "Friends" pedia que ele continuasse usando o mesmo martelo. Estamos parafraseando uma reportagem em alemão sobre essas declarações, então considere as palavras aproximadas. O sentido, porém, está claro.
Compare isso com o roteiro habitual de um papel que define uma carreira. As opções de sempre são correr atrás do anti-Ross de imediato, com um drama pesado e a cabeça raspada, ou se agarrar ao original para sempre. Schwimmer, ao que nos parece, não fez nenhuma das duas coisas. Fez pequenas participações engraçadas em séries como "30 Rock" e "Curb Your Enthusiasm", deu voz a uma girafa nos filmes de "Madagascar" e esperou. Seu primeiro papel de protagonista em uma série depois de "Friends" veio em 2016, como Robert Kardashian em "American Crime Story". Dá para dizer que funcionou porque o público mal conseguia enxergar Ross ali. Depois vieram a comédia britânica "Intelligence" (2020-2023) e um papel na segunda temporada de "Goosebumps" em 2025.
Pela contagem do ksta, ele apareceu em apenas oito longas-metragens desde o fim de "Friends". Chamaríamos isso de contenção, e não de declínio. Menos tentativas públicas de escapar de Ross significaram menos fracassos públicos ao tentar.
Estabilidade é estratégia de carreira, não prêmio de consolação
Há também o dinheiro, que as biografias educadas costumam pular. O viply informa que cada um dos integrantes do elenco que continuam vivos ainda receberia cerca de US$ 20 milhões por ano com a exploração contínua da série, citando a aparente confirmação de Lisa Kudrow ao The Times neste ano. É um valor noticiado, e o tratamos como tal. Mas, se estiver pelo menos na região certa, provavelmente explica muita coisa. Suspeitamos que Schwimmer nunca precisou aceitar o trabalho que o transformaria em um exemplo a não seguir. Ele podia se dar ao luxo de ser seletivo, de ter lacunas na filmografia e de dizer não.
E o capítulo mais recente combina com o padrão. Segundo o ksta, em setembro de 2026 ele assumiu o cargo de produtor e diretor no Lookingglass Theatre, em Chicago, companhia que cofundou com amigos depois dos estudos de teatro e à qual continuou voltando mesmo depois da fama mundial. Isso não é recuo. É um homem voltando ao único lugar que era dele antes de Ross existir.
Esqueça o segundo hit, roube o roteiro
A obsessão cultural com o "segundo hit" diz mais sobre nós do que sobre ele. Queremos que nossas estrelas continuem vencendo ou desabem de forma espetacular, porque as duas histórias são arrumadinhas. Schwimmer oferece uma terceira, menos compartilhável: teve um dos trabalhos mais bem-sucedidos da televisão, não deixou que isso definisse o resto da vida e construiu em torno dele uma carreira tranquila e variada.
Isso é um legado menor que o de uma franquia? Não achamos. Se um dia você ganhar o seu próprio Ross, vale roubar o roteiro de Schwimmer: levar o dinheiro a sério, levar o trabalho a sério e se levar um pouco menos a sério do que as manchetes levam. E, se os melhores anos de atuação dele realmente ainda estiverem por vir, como especula o viply, então a piada é com todo mundo que o descartou cedo demais.
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