Michael Douglas não menosprezou Cher: ele reabriu um debate gratuito sobre o Oscar
Dizer que Glenn Close merecia o Oscar de 1988 no lugar de Cher é a provocação mais barata de Hollywood: não custa nada, ofende por pouco tempo e ajuda a vender um livro de memórias.
Foto: Jan Beránek / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Qual é a maneira mais segura de um veterano de Hollywood ser provocador? Não é atacar um rival vivo, nem confessar algo imperdoável. A mais segura é reabrir o julgamento de um Oscar de 38 anos atrás. Michael Douglas acabou de fazer essa jogada, e a internet mordeu a isca na hora.
Uma homenagem a uma amiga virou alfinetada em um único vídeo
Na sexta-feira passada, Douglas esteve no The Graham Norton Show ao lado de Glenn Close. A conversa chegou à longa seca dela no Oscar: segundo o Page Six, ela tem oito indicações em categorias competitivas e nenhuma vitória. Douglas disse que ela deveria ter ganhado por Atração Fatal, chamando o trabalho dela de "uma das maiores atuações de todos os tempos". Norton acrescentou uma piada sobre Cher deixar alguns fios grisalhos no cabelo.
A resposta de Cher, por meio de uma representante, teve quatro palavras: "Cher adora Michael Douglas." Só isso. Sem resposta atravessada, sem contra-argumento.
A alfinetada era de graça, e esse é o ponto
Olhe a economia da coisa. Douglas está divulgando um livro de memórias, One Helluva Ride, e, como observa o The Independent, ele já gerou manchetes sobre casos extraconjugais e antigos romances. Essas histórias têm custo real. O comentário sobre o Oscar não tem nenhum. Nenhum casamento está em jogo, ninguém é cancelado e a única "vítima" é um troféu.
Também funciona porque é lisonjeiro. Elogiar Close, que estava ali ao lado, é generoso. Douglas parece ao mesmo tempo um amigo leal e um provocador. Quando Norton reagiu com um "Oh, wow", Douglas retrucou "Eu sei. Foi o que todos nós dissemos", o que para nós soa como alguém que sabe exatamente como o vídeo vai circular.
Não achamos que tenha sido crueldade calculada, e não devemos fingir saber a intenção dele. Mas é um caso de manual da opinião polêmica de baixo risco. Opiniões sobre o passado não podem ser provadas erradas, então nunca perdem de verdade.
Cher venceu a troca ao se recusar a jogar
A jogada mais inteligente desta história é do time de Cher. Uma rixa teria alimentado o noticiário por semanas. Em vez disso, uma frase calorosa de quatro palavras fez a história acabar quase assim que começou. Por que discutir uma votação encerrada em 1988 quando dá para parecer elegante e deixar o vídeo do outro falar por si?
Também vale lembrar contra quem Cher concorria. Ela venceu Close, mas também Holly Hunter, Sally Kirkland e Meryl Streep. "Merecer" é uma palavra escorregadia em uma disputa de cinco. O público se dividiu como se esperava: um disse "Cher por Feitiço da Lua é uma das melhores vitórias da história do Oscar", enquanto outro insistiu que ela não deveria ter ganhado de Close. Os dois lados têm razão no único sentido que importa: nenhum pode perder.
Por que adoramos uma velha mágoa
Os prêmios são o único ritual da cultura pop que finge ser objetivo, e essa pretensão é exatamente o motivo de as pessoas não largarem o assunto. Um ranking convida à discussão. Uma derrota parece uma injustiça que pode ser corrigida, nem que seja numa conversa. A história ainda em andamento de Close, com a própria piada dela de que um Oscar honorário finalmente virá no Governors Awards, mantém a ferida aberta e digna de simpatia.
Então a mágoa não expira; é reciclada sempre que alguém com um microfone precisa de assunto. Nosso veredicto: não leia isso como um desprezo a Cher. Leia como uma turnê de divulgação encontrando a faísca mais barata possível. Se quiser entrar no debate, reveja Feitiço da Lua e Atração Fatal e escolha seu lado. Só saiba que a única pessoa com vitória garantida aqui é a que tem um livro para vender.
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