John Frieda foi o primeiro influenciador da beleza, e o Frizz Ease é a prova
O cabeleireiro que cortou o cabelo de Diana também vendia sérum antifrizz em programas de entrevistas. Sua morte aos 75 anos lembra que o cabeleireiro famoso inventou o manual das marcas de beleza.
Imagem gerada por IA
Antes de alguém ter um ring light, um cupom de desconto ou um "get ready with me", havia um homem num salão de Londres que entendeu que uma lista de clientes famosos podia vender um frasco de sérum. John Frieda morreu aos 75 anos, e as homenagens falam, com razão, de sua tesoura. Nós achamos que a história mais interessante é o modelo de negócio dele, que metade do feed de beleza de hoje ainda copia.
O que aconteceu, em resumo
Seu salão anunciou no Instagram que ele "faleceu em paz", cercado pela família. A WWD informa que ele morreu após uma doença não divulgada. Nascido Alan Howard Frieda, vinha de uma família de cabeleireiros e criou o corte tigela "Purdey" para Joanna Lumley em 1976, mesmo ano em que abriu o próprio salão, aos 25 anos. Sua lista de clientes ia de Twiggy e Jackie Onassis a Madonna e Diana, princesa de Gales.
A cadeira do salão foi a primeira plataforma de influenciadores
Tire a nostalgia e olhe a mecânica. Um cabeleireiro ganha acesso às cabeças mais fotografadas do mundo. Revistas como a Vogue britânica e a Harper's Bazaar precisam dele. O cabelo das clientes vira seu portfólio, e seu nome passa a ser sinônimo de um visual. Isso é uma audiência, construída sobre confiança e proximidade com a fama, muito antes de alguém falar em seguidores.
Frieda então fez o que o criador de hoje faz: transformou atenção em produto. O corte Purdey foi um momento cultural, e o Frizz Ease, lançado em 1988, foi a versão do dia a dia. Vale notar a diferença. O corte de celebridade é aspiracional e inacessível para a maioria. O sérum tem o mesmo nome, a mesma promessa, a um preço ao alcance de qualquer um. Na nossa visão, essa escada do raro ao comum é todo o truque, e ele a subiu antes que tivesse nome.
Ele vendia na raça antes de isso ser cool
O detalhe que fica com a gente é da WWD. Com um orçamento publicitário pequeno nos primeiros anos da empresa, Frieda usou sua fama para promover os produtos em programas de entrevistas, "muito antes de demonstrações de produtos serem uma ferramenta de marketing descolada". Ele admitiu que amigos o alertaram de que isso não faria bem à sua imagem. Sua sócia Gail Federici o chamou de "arma secreta" da empresa.
Leia isso como uma lição de credibilidade. Esperava-se que cabeleireiros fossem artesãos discretos; ele escolheu ser vendedor e rosto dos comerciais de TV. Hoje chamamos isso de marketing de autenticidade e damos a ele um painel em congresso. Ele fez simplesmente porque o orçamento era apertado. Defenderíamos que foi por isso que funcionou: o fundador era, visivelmente, o melhor anúncio do produto.
Um nome famoso só ganha escala se o produto resolve um problema banal
O alerta para as marcas de beleza de celebridades de hoje é que a fama sozinha não explica o resultado. O Frizz Ease resolvia um incômodo simples e universal. Como observa o The Guardian, ele o criou com a executiva americana Gail Federici e acrescentou o Sheer Blonde em 1998. Em 2002, a empresa foi para a Kao em um negócio avaliado em US$ 450 milhões, enquanto ele ficou com cinco salões. Homenagens de quem ele formou, incluindo Cetera Lamb, que o chamou de "um verdadeiro rebelde da cabeleireiragem", sugerem que os salões nunca foram um detalhe.
Essa divisão é inteligente e, diríamos, subestimada: vender o que escala, manter o ofício que dá sentido ao nome. Muitos fundadores modernos ficam com a marca e perdem a credibilidade. Frieda fez o contrário.
A marca continua. A Kao anunciou em janeiro de 2026 um grande relançamento global da John Frieda, com produtos reformulados. Um nome que sobrevive ao dono é a evidência mais clara de que o modelo funcionou.
O veredito
Os cabeleireiros de famosos não apenas penteavam os primeiros influenciadores; eles foram os primeiros. Se você quer homenagear Frieda, pule a montagem sentimental e olhe o que ele acertou: acesso, um produto para pessoas comuns e a disposição de parecer um pouco ridículo num programa de entrevistas para vendê-lo. A indústria da beleza passou quarenta anos redescobrindo essa fórmula. Ele a tinha em 1988.
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