Boy sober é a vida de solteira com hashtag, e tudo bem
O detox de relacionamentos de que as mulheres da Geração Z falam nas redes é útil quando significa escolher a si mesma, mas vazio se virar mais uma exibição pública de disciplina.
Imagem gerada por IA
É uma revolução quando as mulheres param de sair com alguém ou só uma terça-feira qualquer com marketing melhor? "Boy sober" é o rótulo mais recente para algo que as pessoas sempre fizeram: dar um tempo no romance e ver o que acontece. A novidade é o vocabulário e o público.
Uma mulher de 44 anos fez uma tendência da Geração Z parecer mainstream
A expressão voltou à conversa porque um rosto famoso a adotou. Segundo o Daily Mail, Melissa Leong, ex-estrela do MasterChef Australia, anunciou que está "boy sober". O veículo descreve a expressão como uma tendência das redes sociais em que mulheres, em geral mais jovens, desistem de sair com alguém. Leong tem 44 anos, o que o Daily Mail trata como uma curiosidade: uma mulher bem fora da Geração Z pegando emprestada a gíria dela.
Outras reportagens descrevem a mesma ideia de forma mais estruturada. A Hindustan Times a apresenta como uma pausa de um ano nos encontros, dedicada ao autocuidado, e a Harper's Bazaar Australia a associa às dificuldades e decepções dos encontros hoje em dia.
Sobriedade é uma metáfora lisonjeira, e um pouco desonesta
Tomar emprestada a linguagem da recuperação de vícios diz alguma coisa. Ela trata os homens, ou a caça a eles, como uma substância, e a pausa como um ato heroico de força de vontade. Achamos que essa é a parte esperta do marketing e também a parte fraca. Namorar não é uma droga. Desconfiamos que a maioria das pessoas que passa um ano sem sair com ninguém não está fugindo de uma dependência. Está cansada, ocupada, queimada pelos aplicativos ou simplesmente sem interesse.
Ainda assim, a metáfora funciona porque dá forma a uma escolha privada. "Não estou saindo com ninguém agora" soa como dar de ombros. "Estou boy sober" soa como um projeto, com data de início e um brilho moral. As redes sociais premiam projetos, não dar de ombros.
A versão útil é a chata
Esta é a nossa conclusão: a ideia é boa quando é discreta. Dar um passo atrás para descobrir o que você quer, reconstruir amizades ou curtir a própria companhia é sensato, e ninguém precisa da permissão de uma tendência. Uma entrevista da Who Magazine com Leong tem o título "Dating is the worst" ("Namorar é o pior"). Isso é menos um programa de bem-estar do que um estado de espírito e, sinceramente, um mais crível.
As vozes citadas nas reportagens também são mais cuidadosas do que a hashtag. O Women.com observa que o celibato entre mulheres está se tornando mais comum, mas que não serve para todo mundo, e cita alguém identificado apenas como Tse, que aconselha pensar no estado emocional atual e nos padrões de relacionamento antes de tentar. Esse é o instinto certo. Uma pausa escolhida por curiosidade é diferente de uma pausa usada para evitar algo.
O risco é transformar abstinência em conteúdo
A armadilha é a performance. Quando uma pausa vira post, ela exige manutenção: atualizações, marcos, uma sequência. Nesse ponto, você trocou um placar externo (quem te manda mensagem) por outro (quem está vendo você não sair com ninguém). Isso não é liberdade, é só outra plateia.
Há também uma ironia mais discreta. Se o detox é uma reação ao cansaço de sair com pessoas, uma contagem regressiva pública acrescenta trabalho ao descanso. E uma regra "de um ano", se alguém realmente a estabelece, pode virar uma pressão própria, um fracasso à espera de você conhecer alguém interessante no sétimo mês.
Nosso veredicto
Faça a pausa se quiser e dispense a cerimônia. Defina-a para você, não para os seus seguidores, e trate-a como uma configuração padrão que pode mudar, não como um voto. Boy sober é a velha vida de solteira com hashtag. Se a hashtag ajudar você a dizer "agora não" sem pedir desculpas, ótimo. Se virar uma insígnia que você precisa defender, você acabou de achar uma nova forma de se ocupar com a opinião dos outros.
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