A regra de "nada de bônus" de Jessica Biel para o filho é honesta, mas difícil de aplicar
Ao dizer que Silas precisa conquistar seus papéis, Jessica Biel admite que o sobrenome abre portas. Dizer não à vantagem é fácil num podcast e bem mais difícil num set.
Foto: Aires Almeida / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Dá para recusar um privilégio que você ainda está concedendo? Essa é a pergunta que paira sobre a recente conversa de Jessica Biel em um podcast, em que ela explicou por que o filho Silas, de 11 anos, não terá um bônus de celebridade em Hollywood. Achamos que a resposta dela é sincera, sensata e, pela própria lógica, meio impossível.
O que ela disse de fato
No Great Chat Show, de Josh Smith, Biel contou que Silas tem falado em querer ser ator e que o assunto "surge muito", segundo o The Hollywood Reporter. Ele aparece no filme dela, Matchbox: The Movie, depois que a produtora Jules Daly perguntou se ele gostaria de fazer um papel pequeno. Biel hesitou, já que ela e Justin Timberlake tentam manter os filhos longe dos holofotes. O envolvimento de Daly e o tamanho minúsculo do papel ajudaram a convencê-la.
A linha vermelha dela é o papel que não permitiria. "Você não pode simplesmente tirar um papel dessa pessoa só porque é meu filho", disse, referindo-se a crianças que fazem aulas de atuação e teatro. Ela acrescentou que, se ele tivesse um grande monólogo, "eu não deixaria". Também disse que "meio que quer cortar" o sonho dele, acrescentando que é "muito difícil".
A admissão escondida na regra
Leia de novo. Uma regra contra aceitar um papel "porque você é meu filho" só faz sentido se o papel pudesse ser conseguido assim. Biel não nega que essa vantagem exista. Ela a descreve por dentro, e essa franqueza é mais útil do que o discurso de sempre, "eu conquistei tudo sozinho", que costumamos ouvir da segunda geração da indústria.
Isso também mostra como o privilégio funciona. A vantagem nem sempre é um contrato gordo. Às vezes é uma produtora amiga ligando para perguntar se seu filho quer "um papelzinho". Como informa o Female First, Biel disse que ela e Timberlake confiam "plenamente" na amiga Daly e sabiam que ela os "protegeria". Para nós, é uma rede de segurança que os pais da maioria dos atores mirins nunca terão. Não dizemos isso para repreendê-la. É só a cara que o bônus tem quando chega com educação, sem vilão.
Onde a regra fica difícil
Esse é o problema do "ele tem que conquistar". Quem julga? Um diretor de elenco que sabe exatamente de quem é o filho que está fazendo o teste não parte do zero. Mesmo que Silas faça o teste só com base no talento, o sobrenome provavelmente entra na sala primeiro. Um pai ou uma mãe pode se recusar a pedir favores, mas não controla o que os outros decidem oferecer ao filho por causa de quem são os pais.
E começar por um papel pequeno já é um precedente. Hoje é uma ponta minúscula num filme estrelado pela mãe. Amanhã pode ser um papel um pouco maior, com outro produtor amigo. Limites traçados por pais tendem a se mover devagar, uma exceção razoável de cada vez. Não estamos prevendo que isso vá acontecer aqui. Estamos dizendo que a regra depende inteiramente da disciplina da família, sem ninguém mais conferindo.
O que merece crédito
Ainda assim, daríamos a Biel um crédito de verdade por uma coisa: a lição do set. Pelo relato dela, Silas passou o primeiro dia no set sem ser chamado para trabalhar, ficou chateado e ouviu, na prática: bem-vindo, você vai ficar sentado 12 horas, ainda quer ser ator? No dia seguinte, ele voltou e trabalhou. Ensinar a uma criança que atuar é, em grande parte, esperar é, a nosso ver, uma vacina melhor contra a arrogância do que qualquer discurso sobre justiça.
Nosso veredito: a postura de Biel mostra a preocupação certa, expressa com honestidade, mas é uma promessa pessoal, não uma solução estrutural. O teste de verdade virá daqui a alguns anos, quando Silas, se continuar nesse caminho, concorrer com crianças sem sobrenome famoso nem produtor amigo. Até lá, aplaudimos a franqueza e seguimos céticos quanto à aplicação. Se você é fã, a resposta mais justa é julgar o trabalho dele quando houver trabalho para julgar e lembrar que "conquistar" é um critério que a indústria inteira faria bem em aplicar com mais frequência.
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