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Redação Trendsfera
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Enquete apagada de Arthur Aguiar mostra que alcance sem lição de casa é um risco

O campeão de reality postou uma enquete eleitoral na véspera do segundo turno e depois a apagou. "Não sabia" é sincero, mas não deveria bastar para quem tem uma plataforma enorme.

Publicado
25 de outubro de 2026
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Foto: Turismo Bahia / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Qual o tamanho que uma plataforma precisa ter para que o "eu não sabia" deixe de ser defesa e vire um problema de descrição de cargo? Arthur Aguiar acabou de nos dar um pequeno caso de teste, bem público, e a resposta, na nossa opinião, é: menor do que a dele.

Uma enquete de aparência inofensiva, o alerta de uma seguidora e um apagão rápido

Na manhã de sábado, 24 de outubro, véspera do segundo turno da eleição presidencial, o vencedor do BBB 22 postou no Instagram uma enquete sobre a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), como informou o Terra. Logo uma seguidora o avisou de que o formato era proibido. Ele tirou o post do ar.

A explicação dele, citada pelo Metrópoles: "Tive que apagar a última enquete, não sabia que era proibido fazer esse tipo de enquete hoje. Fui alertado por uma seguidora, obrigado por ter me falado." Vários veículos trataram o caso como crime eleitoral nas manchetes. A documentação a que tivemos acesso não mostra nenhuma sanção contra ele, então preferimos manter o drama jurídico em proporção.

Apagar e agradecer é o reflexo certo. Também é o mínimo

O mérito é dele: admitiu, agradeceu à seguidora e seguiu em frente, sem nenhuma thread defensiva à vista. Num meio em que celebridades costumam insistir no erro, isso merece um aceno.

Mas repare na palavra "hoje". Ela sugere, para nós, que ele achava que se tratava de uma regra da véspera da eleição. Segundo o O Liberal, a proibição de enquetes eleitorais vale desde 16 de agosto de 2026, também nas redes sociais e em sites. O Terra cita o TSE ao apontar 15 de agosto como o último dia para elas. De qualquer forma, a regra já estava em vigor havia mais de dois meses. Ninguém tropeçou num detalhe técnico de última hora. A regra estava ali, publicamente, enquanto ele passava o dedo por ela.

É isso que nos incomoda. Não o erro, que é humano, mas o perfil de quem o comete: uma figura pública com plataforma, usando um recurso que parece um inofensivo "em quem você vai votar?" e funciona como uma mini pesquisa eleitoral sem método nenhum por trás.

Enquete não é pesquisa, e é exatamente esse o ponto

O Terra explica a distinção: a enquete é espontânea, sem amostra definida e sem método científico, ao contrário da pesquisa eleitoral registrada. Se for apresentada como pesquisa eleitoral, os responsáveis podem ser punidos como autores de pesquisa não registrada, com multas de R$ 53.205 a R$ 106.410. Não temos indício de que alguém esteja aplicando isso a Aguiar, e a punição depende de como a enquete é apresentada. Mas o valor mostra que a lei não trata o assunto como um truque simpático de engajamento.

E não é como se a informação estivesse escondida. Um explicativo do Senado publicado em julho já detalhava o que é permitido e proibido nas redes sociais, e as regras tratam expressamente de influenciadores com grande alcance: o apoio espontâneo é livre, mas eles não podem ser pagos para publicar propaganda eleitoral. O guia do MPF cobre o mesmo terreno e acrescenta que qualquer cidadão pode denunciar suspeitas de propaganda irregular. Que, de certo modo, foi o que aconteceu aqui: o sistema funcionou, graças a uma seguidora atenta.

Alcance deveria vir com lição de casa

Esta é a nossa opinião. Normalizamos uma assimetria estranha: celebridades têm a distribuição de uma pequena emissora, mas não o departamento jurídico dela. Uma rede de TV, presumivelmente, tem advogados que barram isso antes de ir ao ar. Um influenciador tem um celular e um polegar.

Isso não quer dizer que todo famoso precise de uma equipe jurídica. Quer dizer que, em época de eleição, um criador com grande audiência deveria gastar dez minutos lendo o que a Justiça Eleitoral permite. Ou, melhor ainda, ficar longe de conteúdo eleitoral. "Não postar" também é uma posição política legítima.

A leitura generosa é que a seguidora foi a verdadeira moderadora do episódio, e a franqueza de Aguiar tornou a lição pública. A menos generosa é que, sem aquela mensagem, a enquete teria ficado no ar na véspera da eleição, influenciando uma conversa que não era dela para influenciar.

Nosso veredito: Aguiar lidou bem com as consequências e mal com a preparação. "Eu não sabia" é uma boa primeira reação e uma péssima desculpa permanente. Se o seu feed é capaz de mexer com opiniões, aprender as regras não é crédito extra opcional. É o preço do megafone.

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