A fama desvanece: Eleições de 2026 no Brasil mostram que celebridades precisam mais do que seguidores
Enquanto as redes sociais amplificam o alcance, os resultados mistos para candidatos celebridades nas recentes eleições brasileiras provam que popularidade sozinha não é uma estratégia política vitoriosa.
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A poeira baixou, as urnas foram apuradas e as eleições de 4 de outubro de 2026 no Brasil trouxeram um veredito claro, talvez previsível: a fama por si só não garante mais sucesso político. Embora o apelo de um rosto conhecido na cédula continue potente, as recentes disputas legislativas destacaram uma mudança crítica nas expectativas dos eleitores, revelando que o alcance nas redes sociais, embora poderoso, não substitui políticas substantivas e uma plataforma política clara.
De sensações virais a personalidades de televisão experientes e ex-heróis do esporte, uma série de celebridades se lançou em busca de cargos na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas estaduais. Os resultados foram claramente divididos: para cada nome familiar que garantiu um assento, uma série de outros, igualmente reconhecíveis, não conseguiu votos suficientes, ressaltando uma crescente demanda por mais do que apenas o poder das estrelas.
A ilusão do Instagram: quando a influência digital não se traduz
A narrativa de que a fama na internet se converte automaticamente em capital político sofreu um golpe significativo nestas eleições. Figuras como Inês Brasil, a icônica influenciadora digital e cantora, concorreu a deputada estadual no Rio de Janeiro, mas obteve apenas 3.145 votos, ficando como suplente em vez de vencedora direta. Da mesma forma, Manoel Gomes, o cantor por trás do hit viral "Caneta Azul", concorreu a deputado federal em São Paulo, recebendo 7.239 votos, mas não conseguiu uma cadeira, tendo também disputado em Maranhão em 2022.
A narrativa de novatos políticos pegando carona em uma onda de popularidade digital para Brasília ou assembleias estaduais muitas vezes fica aquém. Até veteranos como Tiririca, o humorista que já esteve entre os deputados federais mais votados do país, enfrentaram um revés significativo. Após quatro mandatos consecutivos, Tiririca obteve apenas 5.523 votos no Ceará, não conseguindo sua quinta eleição, marcando sua primeira derrota eleitoral após mudar seu domicílio eleitoral.
Jornalistas e personalidades da televisão também tiveram resultados mistos. José Luiz Datena, um conhecido apresentador que anteriormente concorreu a prefeito de São Paulo em 2024, buscou uma cadeira de deputado federal em São Paulo, obtendo 51.078 votos, mas garantindo uma posição de suplente. Rachel Sheherazade, uma jornalista proeminente, e Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos e apresentadora, ambas concorreram a deputada federal em São Paulo. Sheherazade recebeu 22.453 votos, e Abravanel 22.472 votos, nenhuma delas garantindo uma cadeira em sua primeira disputa eleitoral. A ex-atleta olímpica e senadora Leila do Vôlei não conseguiu a reeleição ao Senado pelo Distrito Federal, ficando em terceiro lugar com 686.340 votos.
Figuras do esporte e músicos também encontraram o caminho para o cargo desafiador. O ex-técnico da seleção brasileira Vanderlei Luxemburgo, concorrendo ao Senado em Tocantins, recebeu 67.987 votos (4,11%), ficando aquém. O ex-jogador de futebol Edmundo, ídolo do Vasco da Gama, concorreu a deputado federal no Rio de Janeiro e recebeu 35.725 votos, insuficientes para uma cadeira. MC Gui, um funkeiro com forte presença nas redes sociais, recebeu 7.378 votos para deputado federal em São Paulo, também sem sucesso.
Além dos likes: o que os eleitores realmente procuram

Enquanto muitas celebridades tropeçaram, alguns rostos conhecidos conseguiram garantir ou manter suas posições. Nomes como Thammy Miranda e Mario Frias foram eleitos, demonstrando que a popularidade pode se traduzir em sucesso político, especialmente para aqueles com uma base política existente ou um alinhamento claro com as expectativas dos eleitores. Thiago Gagliasso também garantiu uma cadeira federal no Rio com 67.700 votos. O elo comum entre os bem-sucedidos parece ser uma conexão percebida com um eleitorado específico ou uma mensagem política mais definida além do mero reconhecimento.
As eleições de 2026 sugerem um eleitorado mais maduro, menos influenciado pela fama superficial e mais exigente sobre quem eles escolhem para representá-los. Os eleitores parecem estar exigindo mais substância, uma plataforma clara e um compromisso percebido com o serviço público, em vez de apenas um nome famoso. O grande número de personalidades conhecidas que não conseguiram um mandato direto ressalta uma mudança na forma como o capital político é acumulado e gasto na era digital. É um lembrete de que, embora a internet possa tornar qualquer pessoa um nome conhecido, é preciso mais do que viralidade para construir uma carreira política crível.
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